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PORTUGAL: teste de cookies acende alerta em 10 de 18 portais municipais

Teste de cookies encontrou rastreamento antes da escolha em 8 dos 18 portais.

Estudo técnico sobre cookies em 18 portais municipais de Portugal
Estudo técnico sobre cookies em 18 portais municipais de Portugal

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Narração gerada a partir do texto publicado · 12:22 · MP3

Mais da metade dos portais analisados em Portugal não ficou em “OK”. Em oito dos 18 casos, o teste observou cookies ou serviços de análise e rastreamento antes de uma escolha válida. Em três, sinais não essenciais também permaneceram depois que a rejeição foi acionada.

O resultado chama a atenção porque o problema não está apenas no desenho do banner. A página pode mostrar os botões certos enquanto o navegador já iniciou uma atividade que depende de consentimento. O que aparece na tela e o que acontece tecnicamente podem contar histórias diferentes.

Este levantamento não declara infrações nem cria um ranking de municípios. Ele torna um comportamento técnico observável, compara resultados obtidos pelo mesmo método e indica onde uma revisão humana merece começar.

O teste automatizado classificou oito portais como “Não conforme”, dois como “Atenção” e oito como “OK”. Essas expressões descrevem o resultado técnico da execução de 12 de agosto de 2026; não são decisões da autoridade portuguesa nem certificados jurídicos.
Síntese dos resultados do teste automatizado de cookies em Portugal
Portais analisados Não conforme Atenção OK
18 8 2 8

O que foi analisado em Portugal

O recorte foi definido antes da coleta: uma câmara municipal por distrito, sempre a página inicial da capital distrital. Portanto, o conjunto inclui 18 serviços públicos digitais com grande visibilidade. Não é uma amostra estatística de todos os municípios portugueses e não representa os portais públicos brasileiros.

A pergunta foi simples: a pessoa consegue escolher e o navegador respeita essa escolha? Para responder, utilizei o Teste de Cookies, atualmente em versão Beta, e comparei três sessões independentes.

As três sessões independentes usadas no levantamento
Momento O que acontece Pergunta central
Antes da escolha Uma nova sessão abre a página sem interagir com o banner. Algo não essencial foi ativado antes da decisão?
Depois da rejeição Outra sessão tenta rejeitar ou manter apenas o necessário. A rejeição é possível e bloqueia o que depende de consentimento?
Depois da aceitação Uma terceira sessão aceita e registra o que passa a ser ativado. O que muda quando existe autorização?

Consentimento é comportamento técnico, não decoração

A diferença entre um banner funcional e um banner apenas visual aparece no navegador. Antes da escolha, os recursos que dependem de autorização devem permanecer inativos. Depois da rejeição, o estado técnico deve continuar coerente com a decisão. Assim, a presença dos botões “Aceitar” ou “Rejeitar” não demonstra, por si só, que cookies, armazenamento local e serviços externos obedeceram à pessoa.

Como o estudo foi realizado em Portugal, o enquadramento citado é português e europeu. O artigo 5º da Lei portuguesa nº 41/2004 condiciona o armazenamento de informação, ou o acesso a informação guardada no equipamento, ao consentimento prévio baseado em informação clara e completa. A lei prevê exceções para transmissão técnica e recursos estritamente necessários a um serviço solicitado pelo usuário.

Além disso, o relatório da Cookie Banner Taskforce do EDPB reuniu entendimentos comuns de autoridades europeias sobre práticas como ativar cookies dependentes de consentimento antes da escolha e dificultar a rejeição.

As multas mostram que o tema já saiu do plano teórico

A fiscalização europeia já produziu decisões de grande dimensão centradas em cookies. A autoridade francesa CNIL aplicou uma multa de 150 milhões de euros à SHEIN por cookies colocados sem consentimento. Em outro processo, aplicou ao Google uma multa de 325 milhões de euros por práticas que incluíam cookies e anúncios inseridos entre mensagens de e-mail.

Esses casos não são precedentes contra os municípios deste levantamento e os valores não podem ser projetados sobre os resultados. Eles mostram, porém, que o comportamento técnico de cookies pode ser verificado à distância, documentado e levado a sério pelas autoridades.

A ferramenta registra cookies, dados guardados no navegador e conexões com serviços externos. Quando não consegue determinar automaticamente uma finalidade, mantém o item no inventário para revisão humana e não o converte, por si só, em infração.

Resultados do teste de cookies nos 18 portais

A distribuição importa mais do que uma média. Oito portais foram classificados como “Não conforme”, dois como “Atenção” e oito como “OK”. Desse modo, 10 dos 18 portais — 55,6% do conjunto — não ficaram em “OK” naquela execução.

Resultados dos 18 portais municipais portugueses testados em 12 de agosto de 2026
Distrito Domínio Pontos Cobertura Resultado Risco técnico observado
Aveiro cm-aveiro.pt 100 6/6 OK Não identificado
Beja cm-beja.pt 100 6/6 OK Não identificado
Braga cm-braga.pt 100 6/6 OK Não identificado
Bragança cm-braganca.pt 92 6/6 Atenção Moderado
Castelo Branco cm-castelobranco.pt 35 5/6 Não conforme Elevado
Coimbra cm-coimbra.pt 100 6/6 OK Não identificado
Évora cm-evora.pt 100 3/6 OK Não identificado
Faro cm-faro.pt 92 6/6 Atenção Moderado
Guarda mun-guarda.pt 19 4/6 Não conforme Crítico
Leiria cm-leiria.pt 100 6/6 OK Não identificado
Lisboa lisboa.pt 44 6/6 Não conforme Elevado
Portalegre cm-portalegre.pt 44 6/6 Não conforme Elevado
Porto cm-porto.pt 36 6/6 Não conforme Elevado
Santarém cm-santarem.pt 35 5/6 Não conforme Elevado
Setúbal mun-setubal.pt 19 4/6 Não conforme Crítico
Viana do Castelo cm-viana-castelo.pt 100 6/6 OK Não identificado
Vila Real cm-vilareal.pt 100 3/6 OK Não identificado
Viseu cm-viseu.pt 35 5/6 Não conforme Elevado

Comprovantes dos 18 testes

Os 18 relatórios técnicos gerados pela ferramenta em 12 de agosto de 2026 estão disponíveis para consulta. Cada PDF corresponde a um portal e preserva a pontuação, a cobertura, as regras avaliadas e os registros técnicos daquela execução.

Os documentos permitem conferir a evidência por trás da tabela. Eles registram um comportamento observado em uma data específica e não constituem decisão da CNPD nem certificado jurídico.

Baixar os 18 relatórios (ZIP)

Relatórios individuais

Gráfico com a pontuação do teste de cookies em 18 portais municipais de Portugal
Pontuação dos 18 testes, do menor ao maior resultado; entre parênteses, a cobertura das seis regras.

A cobertura acompanha a pontuação porque nem todas as regras se aplicam em todos os cenários. Évora e Vila Real obtiveram 100/100 com três das seis regras aplicáveis. Já Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Leiria e Viana do Castelo chegaram ao resultado máximo com cobertura integral.

Na tabela, “risco técnico observado” é uma escala editorial para facilitar a leitura. Ela não estima a probabilidade de multa. Da mesma forma, “não identificado” significa apenas que o teste não observou, naquela execução e nas regras avaliadas, um comportamento classificado como risco.

O problema se repete em cidades diferentes

Os oito resultados “Não conforme” compartilham um sinal: algum cookie ou serviço de análise e rastreamento surgiu antes de uma escolha válida. No entanto, os caminhos até o resultado variaram. Em alguns portais faltou o banner; em outros, rejeitar exigiu passos adicionais; e houve casos em que a rejeição não interrompeu os sinais não essenciais.

Gráfico com os padrões recorrentes observados nos testes de cookies municipais em Portugal
Um município pode aparecer em mais de um padrão; por isso, as barras não somam 18.

Sem banner, mas com rastreamento ativo

Guarda e Setúbal obtiveram 19/100. Nos dois casos, o teste não identificou um banner, embora tenha observado cookies do Google Analytics e chamadas analíticas antes de qualquer escolha. Nessa escala editorial, são os dois casos de risco técnico “Crítico”, porque a ausência de uma interface de consentimento coincide com sinais não essenciais já ativos.

O banner existe, mas rejeitar não é uma ação equivalente

Castelo Branco, Santarém e Viseu apresentaram banner, mas a ferramenta não encontrou, no primeiro nível, uma ação clara de rejeição equivalente à aceitação. Bragança e Faro permitiram rejeitar, mas exigiram abrir “Preferências” e confirmar a escolha; por isso, ficaram em “Atenção”, com 92/100. O Porto também exigiu passos adicionais e falhou em outros critérios.

A pessoa rejeita, mas o rastreamento continua

Lisboa, Portalegre e Porto tinham um mecanismo de rejeição executável. Mesmo assim, os relatórios registraram cookies ou endpoints de análise e marketing depois dessa ação. Esse padrão mostra a distância que pode existir entre o texto da interface e o estado efetivo do navegador.

O esforço invisível de quem fez corretamente

Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Leiria e Viana do Castelo chegaram a 100/100 com todas as seis regras avaliadas. Isso não significa “não utilizar cookies”. Vários desses portais usam serviços de análise, mas o teste só os observou depois da aceitação. A diferença está na ordem: a medição pode existir sem anteceder a decisão do visitante.

Évora e Vila Real também obtiveram 100/100, mas em outro cenário. O teste não observou itens não essenciais que tornassem o banner necessário. Por isso, três regras ligadas ao aviso, à rejeição e ao comportamento posterior ficaram como não aplicáveis. A pontuação é positiva, mas a cobertura deve acompanhar qualquer citação do resultado.

O que este estudo pode — e não pode — afirmar

Os resultados descrevem uma visita automatizada, em uma página e em um momento específicos. Eles podem variar por geolocalização, idioma, estado do servidor, cache, testes A/B, campanhas, mecanismos anti-bot, gerenciador de consentimento e alterações posteriores do site.

A ferramenta também não conhece contratos, decisões internas, fundamentos jurídicos, tratamentos fora do navegador ou áreas que exigem autenticação. Por isso, “Não conforme” deve ser lido como a classificação técnica emitida para o comportamento observado, e não como uma decisão da autoridade portuguesa. Da mesma forma, 100/100 não é um certificado de conformidade.

O valor do levantamento está em tornar o comportamento observável, comparável e repetível. Uma eventual infração, responsabilidade ou sanção depende da análise do caso concreto e da autoridade competente. O estudo não estima multas e não substitui auditoria humana, perícia de engenharia da computação, encarregado de proteção de dados ou parecer jurídico.

Repetir o teste em um site

Metodologia e fontes

O procedimento pode ser consultado no artigo sobre o método do Teste de Cookies. Como o recorte é português, o enquadramento documental inclui a Lei portuguesa nº 41/2004, o relatório do EDPB sobre banners de cookies e a nota da CNPD de Portugal sobre cookies.

Referência rápida

Termos deste artigo

REFERÊNCIA RÁPIDA. Definições para interpretar corretamente o estudo.

Consentimento prévio
Escolha livre, informada e clara obtida antes de ativar um recurso que depende dessa autorização.
Cookie não essencial
Registro usado, por exemplo, para análise de audiência, publicidade ou personalização, sem ser indispensável ao serviço solicitado.
Rastreamento
Acompanhamento da navegação ou das ações do usuário, geralmente para análise, personalização ou publicidade.
Cobertura
Número de regras que a ferramenta conseguiu avaliar entre as seis previstas no método.
Endpoint
Endereço técnico para o qual a página envia uma solicitação ou do qual recebe dados durante a navegação.
Falso positivo e falso negativo
Um falso positivo aponta um problema que não se confirma; um falso negativo deixa de identificar um problema existente.

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Autoria

Foto de Wenderson Wanzeller

Wenderson Wanzeller

Engenheiro informático, atuário, jornalista, professor e pesquisador

Atua entre crédito, risco, engenharia de software, inteligência artificial aplicada, jornalismo, docência e comunicação estratégica, conectando Brasil e Portugal.

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