O LinkedIn criou uma opção para marcar conteúdo que “Seems like AI slop”. AI slop é a expressão usada para aquela massa de conteúdo genérico, barato e produzido em escala por inteligência artificial. Em português, alguém olhou para toda essa nuance linguística e escreveu apenas: “Parece lixo de IA”.
O melhor está no “parece”, porque o botão não é um detector de ChatGPT nem prova que alguém usou IA. Só que certos sintomas já ficaram conhecidos: “isso muda o jogo” e aquela descoberta revolucionária que aparece três vezes por semana. A essa altura, até um texto escrito à mão talvez precise apresentar duas testemunhas.
E está tudo bem usar IA — eu uso e, como leitor, até prefiro receber um texto corrigido, enxugado e bem trabalhado a tropeçar em algo mal escrito só para garantir procedência humana. O problema começa quando a ferramenta deixa de melhorar uma ideia e passa a fabricar a ideia, a opinião e até a personalidade do autor. IA pode polir o texto; não precisa embalsamá-lo.
O travessão também entrou numa crise de reputação: passou séculos trabalhando honestamente e agora basta aparecer — assim — para levantar suspeitas. Para verificar se recebeu esse novo poder, abra uma publicação de outra pessoa, clique nos três pontinhos no canto superior direito e procure “Parece lixo de IA”, como na imagem abaixo. Recomendo apenas moderação: se começar pelos textos que “mudam o jogo”, talvez você não consiga trabalhar hoje.
Agora só falta o botão “Parece lixo, mas foi escrito sem IA”.
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